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Notícias:
Perguntas e respostas sobre a doença do Nemátodo da Madeira do Pinheiro |
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1 - O Nemátodo está a matar a floresta de pinheiro bravo da região do Pinhal Interior Norte. Por que razão a progressão da doença está imparável?
Existem várias razões para que a progressão desta doença estar a progredir tão rapidamente: em primeiro lugar esta é a região com maior área contínua de floresta de pinho bravo em Portugal, área esta que na sua grande parte é de monocultura, o que faz com que não hajam barreiras físicas (outras árvores) para a progressão do insecto vector; em segundo lugar está o abandono florestal, como se sabe nesta zona de microfúndio é muito complicado as pessoas apostarem nas suas propriedades florestais e na sua gestão e rentabilidade, pelo que as árvores doentes ficam mais tempo no terreno sem serem retiradas o que vai contaminar mais rapidamente outras em volta; por último, as pessoas nesta região ainda têm ainda muito o hábito de cortar alguns pinheiros para lenha (assim como ramos) e deixá-los num monte no meio do pinhal de onde os vão tirando conforme a sua necessidade, o que também constitui um grande foco de infecção; acresce ao facto a existência de muitas indústrias ligadas à madeira, o que faz com que haja sempre muito pinho a circular nesta região.
2 - Como surge esta doença e como se desenvolve?
A doença surge inicialmente numa dada área através de via humana - transporte de madeira infectada com ovos e larvas do insecto vector que depois a partir de Maio inicia a seu período de voo e ao alimentar-se de raminhos de pinheiro infecta as árvores em volta – transmissão primária. Mais tarde, também pode infectar novas árvores, estas já secas, através da postura dos ovos nas árvores – transmissão secundária, de onde outra vez em Abril vão sair novos insectos que já se encontram infectados e vão infectar novamente novos pinheiros em redor. Através desta via (insecto vector) dá-se uma progressão na área inicialmente infectada aumentando assim grandemente todos os anos (de Abril a Novembro) a área infectada, pois o insecto vector pode voar até 3,3 Km.
3 - Quais são as consequências directas da doença em termos da floresta?
Em termos florestais são muitas as consequências e a vários níveis. Em primeiro lugar temos as consequências económicas, pois o pinheiro bravo é de momento a árvore mais rentável da floresta Portuguesa e aquela que se dá em mais áreas diferentes inclusive em áreas declivosas de montanha onde mais nenhuma árvore de produção se desenvolve, até porque nesta região existe muita regeneração natural de pinho pelo que os produtores apenas têm que conduzir os povoamentos. Depois existem as consequências ambientais, pois infelizmente a principal alternativa ao pinheiro bravo para os produtores florestais é o eucalipto, espécie que como se sabe diminui grandemente os recursos naturais e a biodiversidade (tanto da flora, como da fauna) das suas zonas de produção. As invasoras também terão muito mais área disponível pois estas avançam muito mais rapidamente do que as nossas espécies nativas que possam estar a regenerar, o que causará um problema ainda maior do que já temos, pois as mimosas não tendem a invadir pinhais estabilizados. Por outro lado, existem as consequências em torno dos produtos florestais complementares do pinhal, tais como os míscaros e as pinhas, entre outros, que também irão diminuir grandemente o que será um problema também ao nível tradicional/ cultural, pois as pessoas desta região o hábito de os apanhar desde há muito.
4 - Como se pode combater esta progressão desta doença?
A doença do nemátode-da-madeira-do-pinheiro não pode ser erradicada, apenas podemos diminuir a rapidez da sua progressão. Para tal, a única forma viável para esta região é cortar as árvores com sintomas de declínio, em especial no período de não voo do insecto vector, de Novembro a Abril e queimar ou estilhaçar todos os sobrantes. Quanto à árvore deve ser enviada para um centro de tratamento térmico ou se guardada em casa deve ser guardada em locais fechados e depois de retirada a casca. Em complementaridade e se possível deverão ser colocadas armadilhas para o insecto vector durante o seu período de voo (de Maio a Outubro) de forma a diminuir as populações do mesmo.
5 - Que tipo de apoios existem para minorar a situação?
Os apoios que existem são a dois níveis. Nestes últimos três anos (desde Dezembro de 2008) têm sido executados Planos de Acção de Controlo do Nemátode-da-madeira-do-pinheiro através de Protocolos entre a Autoridade Florestal Nacional e as diversas Organizações de Produtores Florestais e este ano com as diversas Federações Florestais do país, com o objectivo principal de controlar a dispersão do nemátode através da eliminação de todos os pinheiros que apresentem sintomas de declínio, consistindo em acções de marcação e eliminação de coníferas hospedeiras com vista à diminuição do número de árvores susceptíveis à doença e à multiplicação das populações do insecto vector. Este Plano destina-se a áreas definidas pela AFN, designadamente localizadas em freguesias onde foi identificada a presença de nemátode-da-madeira-do-pinheiro, freguesias envolventes e freguesias da Zona Tampão (zona de fronteira). Infelizmente estes planos não têm corrido da forma mais eficaz devido a vários constrangimentos, entre os quais a falta de informação e sensibilização da população e económicos. Por outro lado, no PRODER existe uma Subacção (2.3.3.3 - Protecção contra agentes bióticos nocivos), para o controlo do nemátode com apoio a 100% em áreas definidas pela a AFN dirigida aos proprietários florestais onde muitas despesas são elegíveis, desde controlo, análises, monitorização, sensibilização, etc.. No entanto, com todos os problemas inerentes ao PRODER actual, uma simples candidatura a esta medida mostra-se uma missão quase impossível.
6 - Em termos de paisagem, quais são os impactos mais visíveis a olho nu? Há uma alteração completa do pinhal?
Em termos de paisagem os impactos são muito visíveis, pois aparecem árvores secas (castanhas) no meio das verdes, o que numa zona de grandes extensões contínuas de pinheiro saltam à vista de imediato. Em zonas mais afectadas o cenário pode ser idêntico ao de um incêndio, o que nunca é uma visão agradável, muito menos para uma zona com o potencial turístico como é o caso desta região. A alteração do pinhal é essencialmente a redução da sua área, com ocupação de outras espécies, nomeadamente invasoras ou em determinados casos a sua completa substituição através da sua reconversão com a introdução de novas espécies florestais, em especial eucalipto, aquando do seu corte.
Publicado em 26 de Setembro de 2011
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